segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

E que tal oferecer queijo no Natal ?

Quem tem amigos ditos "Gourmet" (conceito já gasto... mas sempre útil para aquilo que nos interessa) defronta-se com o problema dos presentes no Natal ou no dia de aniversário. Uma garrafa de vinho fica sempre bem, uma de azeite refina a coisa e um livro, claro está dá outra patine, mas, quantos de nós planeamos oferecer, por exemplo, um queijo? Muito poucos. E, todavia, nós por cá gostamos de queijo e, melhor ainda, temos uma considerável riqueza à nossa disposição. Ainda por cima existem muitas lojas com alguma preocupação em transformar um pequeno queijo num presente bonito.


Não podemos competir com a diversidade dos franceses que, segundo o general De Gaule, até tornava o país ingovernável (gerir um país com 200 Denominações de Origem Protegida deve ser cá uma dor de cabeça) mas, do Minho ao Algarve e com passagem pelos Açores, queijo de leite de vaca, ovelha e cabra é coisa que não falta. 
Quem compra queijos DOP defende uma filosofia assente na identidade nacional da produção de bens alimentares. Quem não tem muita disponibilidade financeira tem também à sua disposição um sortido de queijos com qualidade, alguns deles garantidos pelo júri do concurso "Queijos de Portugal", da responsabilidade da Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios. Aliás, Maria Cândida Marramaque, técnica responsável pelo referido concurso, costuma dizer que se cada português oferecesse, pelo menos uma vez por ano, um queijo a um amigo, a industria de lacticínios daria um salto e tanto... Vou dar uma ajuda com a proposta de dez queijos portugueses, conhecidos ou não, frescos ou curados, uns com denominação de origem e outros não. 

Vamos variar na escolha?  Assim como acontece com os vinhos, os azeites, chocolates ou cafés, os portugueses têm um gosto tremendo em manter a fidelidade a determinadas marcas de queijo. Podem as prateleiras dos supermercados derramar largas dezenas de marcas que muita gente compra sempre os mesmos queijos. Afeiçoam-se a um determinado sabor e pronto, vão pela vida fora a comer sempre a mesma coisa. O que é curioso, porque há poucos produtos alimentares que permitem variações interessantes de sabores e texturas por tão pouco dinheiro. 
Justamente a pensar nesta questão, decidi passar por alguns supermercados e selecionar um sortido variado de queijos portugueses, uns conhecidos e outros não; uns fresquíssimos e outros bem curados; uns com denominação de origem e outros não. De caminho darei algumas dicas sobre a utilização do vinho com o queijo, que é para desmontar essa ideia de que um queijo pede sempre um "tintinho". Umas vezes sim, na maioria das vezes, não. 

Vamos às sugestões 
Pois é, fala-se de queijo e muita gente começa a pensar no pão e a ver a rolha a saltar de uma garrafa de tinto. Em todas as ligações de comida com o vinho devemos ter a preocupação de encontrar equilíbrios entre as partes.
Um vinho tinto novo não muito extraído fará sentido para um queijo de vaca com pouco tempo de cura, mas já estará contra indicado para um queijo Serra da Estrela Velho. Neste caso, e como o queijo será muito intenso, um vinho branco com alguma fermentação em madeira irá como que suavizar a nossa boca. E se estivermos perante um queijo muito picante ( um São Jorge), um vinho doce (Porto ou Madeira) recomenda-se.

* Requeijão de ovelha (cremoso e intenso)



No mercado há requeijões de leite de ovelha, cabra e vaca. Cá no meu entender nada bate um requeijão de ovelha, atendendo à gordura do leite.
Como é deliciosa uma sobremesa ou entrada de requeijão de ovelha e doce de abóbora




* Queijo de Azeitão (Muito premiado)



Se o objectivo é mesmo provar um queijo de Azeitão com certificação, cá está um bom exemplar, recentemente premiado a nível mundial. O Queijo de Azeitão é produzido a partir de leite de ovelha cru, ao qual apenas se junta cardo e sal, é um queijo curado, pequeno, de 100 ou 250 gramas, em forma de cilindro achatado, sem bordos definidos e com crosta amarelada.

* Queijo da Ilha São Jorge (os misteriosos cristais crocantes)



Depois de muita luta contra as poucas fábricas existentes na ilha de São Jorge começa a chegar ao mercado queijo com 24 meses de cura embalado a vácuo. Intenso, picante e com os maravilhosos cristais crocantes.




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